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A Brusca
Poesia da Mulher Amada
( Vinicius de Moraes)]
Longe
dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede
lentamente...
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor – oh, a
mulher amada é como a fonte!
A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no
peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma
inexistente?
Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa
elevou a face pálida dos lírios
E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas
e rostos transfigurados...
Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante
das praias
Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.
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